Publicitária de 25 anos optou pela cirurgia bariátrica para mudar de vida.
Jovens contam dificuldades e recompensas ao perderem peso.
Os principais fatores que levam à obesidade não são nenhuma novidade: sedentarismo, consumo de alimentos gordurosos e calóricos, poucas refeições no dia, e as poucas que se consome, gigantescas. As desculpas para não mudar de vida também são conhecidas. “A principal dificuldade citada para aderir a qualquer dieta é a falta de tempo. Tempo para comer bem, fazer exercício. Isso sem contar as tentações dos restaurantes e lanchonetes presentes em todas as esquinas, que tornam aquela salada bem pouco atrativa na hora da escolha”, brinca a nutricionista Lívia Monteiro, de Varginha (MG).
Apesar de todos os pesares, muita gente encontra tempo e vontade para correr atrás e deixar muitos quilos no passado. Com o desenvolvimento da medicina, as opções vão da antiga combinação de dieta e exercícios até as cirurgias bariátricas, hoje disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (Sus). O G1 entrevistou três pessoas que contam as dificuldades e as recompensas de fazer dieta e perder peso.
As irmãs Juliana e Claudilene Neves Figueiredo, de Boa Esperança (MG) optaram pela cirurgia bariátrica e contam como perderam peso e desenvolveram novos hábitos de rotina e vida.
“Tenho medo da obesidade”
“Eu nunca conseguiria sem a cirurgia”. É o que afirma a farmacêutica e bioquímica Juliana Neves Figueiredo, de Boa Esperança (MG). Pesando cerca de 120 Kg, ela tomou a difícil decisão de ir para a mesa de cirurgia em maio de 2008. Juliana teve problemas de peso desde criança, mas a coisa começou a se complicar quando uma questão de vaidade virou problema de saúde. Hipertensão, trombose, cansaço e mal estar diários eram alguns dos problemas que tornaram a decisão inadiável. “Além de tudo isso, a autoestima deixa de existir. Não suportava mais ser daquela forma”, lembra a farmacêutica.
“Eu nunca conseguiria sem a cirurgia”. É o que afirma a farmacêutica e bioquímica Juliana Neves Figueiredo, de Boa Esperança (MG). Pesando cerca de 120 Kg, ela tomou a difícil decisão de ir para a mesa de cirurgia em maio de 2008. Juliana teve problemas de peso desde criança, mas a coisa começou a se complicar quando uma questão de vaidade virou problema de saúde. Hipertensão, trombose, cansaço e mal estar diários eram alguns dos problemas que tornaram a decisão inadiável. “Além de tudo isso, a autoestima deixa de existir. Não suportava mais ser daquela forma”, lembra a farmacêutica.
A decisão não foi fácil. A cirurgia bariátrica é considerada de alto risco. O procedimento envolve todo um tempo de preparação, a recuperação é difícil e depois de passada a fase mais delicada, ainda é necessário um acompanhamento pós-cirúrgico por anos. Uma das etapas que exige mais cuidado é a dieta pós-operatória. Se não levada à risca, o descuido pode levar o paciente à morte. “No momento da cirurgia, tive que assinar um termo de responsabilidade com duas testemunhas. Aquilo gelou a alma”, lembra.
A dieta, nas palavras da farmacêutica, é “tensa”. Na primeira fase, que dura 45 dias, só se pode consumir líquidos. Depois, outros alimentos podem voltar à dieta. “Tudo tem que ser coado duas vezes em um coador de pano. Não pode passar nada, nem um ‘fiapinho’ de fruta, por exemplo”, explica Juliana.
Além disso, é preciso levar 20 minutos para tomar cada 50 mililitros de líquido, que equivale a um copinho de café. “O grande sofrimento é a sede. Você sente muita sede e não pode tomar água aos goles, só umas ‘bicadinhas’. E durante a dieta, tudo tem que ser natural, como suco de frutas, absolutamente nada industrializado, nem tempero”, frisa.
Tanto esforço, valeu a pena. Hoje, com 32 anos, Juliana pesa cerca de 68 Kg. Ela perdeu 54 Kg em um intervalo de cerca de um ano. “O melhor momento foi quando comprei roupas novas e entrei numa calça jeans 42! É muito triste você não poder usar roupas como suas amigas, afinal não existiam. Calça jeans era uma decepção! Minha última era nº 52 e já não me servia mais”, lembra. “Hoje, morro de medo da obesidade. Agradeço a Deus pela oportunidade de ter feito a cirurgia”.
“Eu chorei por não conseguir cruzar as pernas”
Cerca de dois anos após Juliana ter feito a cirurgia, a irmã dela, Claudilene Neves Figueiredo, tomou coragem e também fez o procedimento. Era 16 de setembro de 2010. “O meu amor próprio foi o que me levou à cirurgia”, explica ela. Segundo a publicitária, ela sempre esteve na média do seu peso normal, mas ao entrar na faculdade, trabalhava sem parar e não cuidava da alimentação. Lanches rápidos e que sustentavam por um bom tempo era o que predominava no cardápio. “Eu vivia esquecendo de comer, e quando lembrava, eu comia muito, muito mesmo. Era tudo comida rápida, que não fosse tomar meu tempo”, conta Claudilene. “Quando percebi, estava com 100 kg, hipertensa e pré-diabética”.
Cerca de dois anos após Juliana ter feito a cirurgia, a irmã dela, Claudilene Neves Figueiredo, tomou coragem e também fez o procedimento. Era 16 de setembro de 2010. “O meu amor próprio foi o que me levou à cirurgia”, explica ela. Segundo a publicitária, ela sempre esteve na média do seu peso normal, mas ao entrar na faculdade, trabalhava sem parar e não cuidava da alimentação. Lanches rápidos e que sustentavam por um bom tempo era o que predominava no cardápio. “Eu vivia esquecendo de comer, e quando lembrava, eu comia muito, muito mesmo. Era tudo comida rápida, que não fosse tomar meu tempo”, conta Claudilene. “Quando percebi, estava com 100 kg, hipertensa e pré-diabética”.
A decisão pela cirurgia foi tomada porque Claudilene não conseguia emagrecer com dietas tradicionais. “O melhor era a pessoa olhando pra mim com 120 Kg e dizendo: ‘para, você não precisa disso! Faz dieta, ou faz um esporte’. Imagina, uma criatura de 1,66 metros por 120 Kg correndo? (risos)”.
Claudilene conta que o pior momento em todo o processo foi quando ela entrou na sala de cirurgia e se deu conta de tudo o que tinha acontecido: dos 60 Kg que havia ganhado, de toda a loucura da rotina e a falta de respeito por si mesma. “Eu me sentia deformada nas minhas possibilidades. Era difícil para andar, para trabalhar, para sentar em algumas cadeiras. Eu sempre amei dançar e não conseguia, sempre amei nadar e também não conseguia. Isso transcende não caber numa calça de 38 ou 40, vai muito além de um vestidinho curto não ficar bem em você”, explica.
A publicitária perdeu 52 Kg após a cirurgia. Passado o sufoco da recuperação, veio a bonança. “O melhor momento foi o dia em que cruzei as minhas pernas de novo! Eu falo isso, o povo acha que é ‘poesia’, mas é sério. Eu já cheguei a chorar por não conseguir cruzar as pernas”, lembra ela.
Hoje, com cerca de 70 Kg, ela diz que aprendeu a não frequentar impulsivamente lanchonetes, a dormir melhor, que tudo tem seu tempo e que é preciso respeitar o próprio corpo. “Fui irresponsável e descuidada. Ainda continuo vidrada em trabalho, porém, existe um limite, porque eu conheço o fim da linha. Hoje eu sou uma mulher viva, ativa, consciente e principalmente saudável. Beleza é consequência, não da magreza, mas de todo o contexto”, afirma Claudilene.
“Achei que fosse morrer”
Luiz Augusto Alves Valeriano, 36 anos, é jornalista e durante muitos anos enfrentou a rotina desenfreada e estressante das redações. Trabalhando sentado o dia todo, sem praticar nenhuma atividade física, não tardou para que os quilos fossem se acumulando na mesma proporção em que as idas ao hospital iam aumentando por problemas de pressão alta.
Luiz Augusto Alves Valeriano, 36 anos, é jornalista e durante muitos anos enfrentou a rotina desenfreada e estressante das redações. Trabalhando sentado o dia todo, sem praticar nenhuma atividade física, não tardou para que os quilos fossem se acumulando na mesma proporção em que as idas ao hospital iam aumentando por problemas de pressão alta.
O susto maior foi quando Valeriano foi tirar a carteira de motorista, e ao medir a pressão, o médico se assustou com o resultado. “Minha pressão já chegou a 20 x 14! Aí o médico disse pra mim: você vai ter que cuidar da saúde, senão você vai morrer”, conta o jornalista. Logo depois, em novembro de 2011, o jornalista teve uma crise de cólica de rins e teve que operar. Ao recuperar-se, foi a hora de mudar de hábitos.
Valeriano resolveu partir para a combinação de dieta e exercícios físicos para perder peso. A maior dificuldade foi cortar “tudo de bom” das refeições de todo dia: carne vermelha, enlatados, bebidas alcoólicas e derivados saíram do cardápio. A alimentação passou, basicamente, a vegetais. “O mais difícil foi tirar a carne vermelha e o sal. Não podia colocar sal nem em salada”, lembra ele.
Em um ano, Valeriano, que tem 1,87 metros, perdeu 21 Kg. Com 115 Kg à época, ele passou a pesar 94 Kg. Os benefícios para o organismo foram imediatos. “Passei a ter uma rotina saudável, e aí, toda a minha saúde melhorou. A pressão normalizou, o nível de ácido úrico, que estava elevado, caiu. Eu costumava ter insônia, e parei de perder o sono. Tudo melhorou”, lembra o jornalista.
Incentivado pela perda de peso, a segunda fase da dieta foi ganhar massa magra na academia. Com uma alimentação balanceada e uso de suplementos, Valeriano conquistou um corpo atlético e voltou a fazer o que já há muito não conseguia mais. “Eu voltei a correr, de 6 a 8 km por dia. E a mudança me fez mudar de hábitos também. Hoje, uma lata de cerveja me dá ressaca. Se eu fico uma semana sem ir à academia, logo o corpo está pedindo”, comenta o jornalista. “Hoje sinto como se tivesse recuperado muitos anos. Me sinto revigorado”.
Menos quilos, mais saúde
Segundo a nutricionista Lívia Monteiro, poucas vezes a obesidade é consequência de alguma doença hormonal ou hereditariedade. “É muito mais fácil a pessoa se convencer de que está bem do que fazer alguma coisa para mudar de vida. Ela pensa: eu não vou conseguir, eu sair desse meu sofá, assistindo televisão, pra ir pra academia? (risos) Então muita gente prefere se convencer de que está bem”, afirma Lívia. “Mas obesidade, hoje, é considerada uma doença crônica.”
As principais doenças que costumam estar ligadas à obesidade são a hipertensão e a diabetes, as duas podendo ser prevenidas por uma boa alimentação. E apesar de muita gente que briga com a balança fazer exames e estar tudo certo, os problemas tendem a aparecer com o decorrer dos anos. “Quando a gente fica mais velho, chega um momento da vida em que todos os órgãos vão enfraquecendo naturalmente. Então, quando a pessoa é obesa, esse quadro pode piorar ou desenvolver problemas que não teria se não fosse obesa”, explica Lívia.
Passada a árdua decisão de mudar de vida e fazer uma dieta, os cuidados devem ser mantidos em dia ´por anos. A nutricionista explica que, quando a pessoa engorda, as células adiposas do organismo são multiplicadas, e ao emagrecer, elas não desaparecem, apenas murcham. “Então se ela continua ali, é muito fácil inchar de novo”, explica Lívia. “Se você tem uma tendência a engordar, você sempre vai ter que se cuidar”.
Porém, passado o sacrifício, os benefícios são enumeráveis. “A pele melhora, o humor melhora, o intestino volta a funcionar, melhora a postura”, afirma a nutricionista. “Faz um bem tão grande você ter uma alimentação saudável, que você melhora tudo!
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